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terça-feira, 9 de outubro de 2012

ENTREVISTA COM LÉO BENGOCHÊA – PATINAÇÃO ARTÍSITICA


 

 
 
Nome: Léo Patricio Rocha Bengochêa
Idade: 45 anos
Profissão: Presidente e treinador da PATINART -
Escola de Patinação Artísitica
Cidade: Novo Hamburgo

 

 

 
Angela: Léo, muito bom estar conversando com você, obrigada por me conceder seu tempo que sei é extremamente solicitado. Então diga-me, com que idade você começou a patinar e o que te motivou a praticar patinação artística?
Léo: Comecei a praticar com 11 anos de idade, estudava no colégio Champagnat de Porto Alegre e uma das modalidades da educação física era a patinação. Na verdade nós começamos a patinar para criar um grupo de Hockey, que esse era o objetivo que o professor de religião na época, Alexandre Durante, solicitou que se formasse um grupo de Hockey na escola, e eu entrei com esse objetivo. Só que o grupo foi se desfazendo e até o final do ano tinha apenas 5 patinadores e então não dava para ter um time cheio, apesar de  ser 5 atletas no time, só tinha 3 meninos. A ideia era que primeiro os atletas aprendessem a patinar artisticamente que , segundo o professor Alexandre, quem soubesse patinar artisticamente, seria um bom jogador de Hockey. Como esse grupo não se formou e eu gostei, continuei mesmo sendo patinação artística. Isso foi em 1979, eu tinha entre 11 e 12 anos e já no mesmo ano eu fiz competições e já comecei a participar de espetáculos também e vi que seria um bom esporte para mim.
Angela: Tinha alguém da tua família que praticava essa modalidade esportiva?
Léo: Não, meu pai era jogador de basquete, dois irmãos jogavam futebol e algumas irmãs que jogavam vôlei e uma fazia atletismo.
Angela: Então na verdade toda tua família sempre se dedicou a prática esportiva, isso também pode ter te influenciado a seguir uma modalidade.  Aqui podemos dizer Léo que houve a influência tanto da genética quanto do ambiente, que diz respeito às tuas relações, onde toda tua família estava envolvida com o esporte.
Léo: É talvez pelo lado paterno sim, a mãe não gostava de esportes. Meu pai, inclusive chegou a fazer parte da seleção gaúcha, que na época  quem disputava o campeonato gaúcho era a seleção do exercito, e como meu pai era do exercito, participava de campeonatos estaduais, então já existia essa coisa da competição. A primeira modalidade que comecei na escola foi o basquete, seis meses depois fiz o vôlei e no outro ano entrei na patinação e acabei ficando porque foi a que mais gostei.
Angela: O que tu achas que a patinação trouxe para tua vida, o que mudou a partir daí?
Léo: Olha, a patinação abriu várias oportunidades em minha vida. Como vim de uma família pobre e as pessoas que praticavam esporte no clube onde eu estava, tinham uma condição financeira melhor, isso acabou proporcionando conhecer outro mundo que para mim não existia. Então conhecimentos, viagens, festas, outros lugares, passeios e como me destaquei no esporte, comecei a viajar e competir em outros lugares, inclusive conheço vários países do mundo através da patinação.
Angela: Léo fale um pouco sobre esses títulos que tu ganhaste com a patinação artística?
Léo: Eu ganhei vários títulos estaduais, nacionais eu ganhei 2 títulos em dupla na categoria Junior e o individual eu sempre estava entre os 5 do país, e em 1989 eu fiquei em segundo lugar e daí eu não quis mais competir e durante os próximos 4 anos trabalhei como comissário de bordo da Varig,  Porém não me afastei do esporte, como tinha passes livres na empresa, eu dava aula pelo Brasil a fora e treinava também para demonstrar. Em 1994 eu decidi voltar após 5 anos sem competição e fui campeão brasileiro. Daí determinei que bastava, eu  tinha alcançado pra mim,   o meu objetivo. Pela minha idade, 27 anos, e pelas condições físicas e técnicas, o próprio corpo começa com algumas limitações, então eu determinei que como atleta este era o ponto máximo para mim. Para mim foi uma conquista pessoal, não se tratava de ganhar apenas na pista, queria provar para mim, como pessoa que podia conquistar esse nível de competição.
Angela; Atingindo esse nível você conclui “agora chega.”
Léo: Naquele momento em que vi o troféu de primeiro lugar, determinei a maneira de dar treinos para  meus atletas, pois já era treinador desde 1985. No início eu era bastante rígido, os atletas sofreram nas minhas mãos, mas também conquistaram vários títulos, foram campeões Brasileiros, Sul- Americanos, com grande destaque à nível mundial.
Angela: Podemos dizer que no papel de treinador, você trouxe para os treinos tua experiência como atleta, o que certamente é um diferencial?
Léo: Sem dúvida, até hoje meus treinos são baseados em experiências que eu tive como atleta, eu sempre comento com os atletas como eu reagia, como era e inclusive nas competições.
Angela: Léo, sabemos que nem todo atleta torna-se um técnico bem sucedido. Você obteve sucesso tanto como atleta e está tendo como técnico. O que você considera crucial para ter êxito como treinador?
Léo: Como treinador eu penso que é semelhante às exigências de um atleta, disciplina, força de vontade e um ideal, tem que ter um ideal. A diferença é que o atleta ele vai em busca da medalha de ouro, a maioria quer isso. Não que o treinador não queira, só que o treinador tem vários atletas. Às vezes eu tenho na mesma categoria 7 atletas competindo entre elas, então eu sei que na melhor das hipóteses uma vai estar em 7ª lugar. Então eu como treinador tenho como objetivo fazer com que cada um deles busque o seu melhor, independente do resultado.
Angela: E daí conseguir a lidar com as perdas.
Léo: Mas isso é o esporte para mim. Porque o que vejo no esporte , dando o exemplo da patinação, cair e levantar, errar e acertar e o perder e ganhar faz parte não só da patinação ou do esporte em si, mas faz parte da vida, por exemplo, um familiar que tu perde, um vestibular que não passa, um casamento que não dá certo, ser demitido de uma empresa, então estas “derrotas”, servem para crescimento pessoal, sendo que o esporte já é um estágio para essa vida de adulto que a maioria não está preparado. Então hoje eu me sinto muito orgulhoso de ex atletas que aceitavam meu ensinamento e que entendiam minha mensagem e hoje são profissionais  extremamente bem sucedidos, com família, casados, com filhos, em que eu penso que o esporte fez muito bem para eles. Claro que tem também a questão familiar que eu considero principal, mas muitos tiraram do esporte isso.
Angela: Sabe Léo na minha experiência com o esporte enquanto você fala passa um filme na minha cabeça, porque eu vejo no esporte uma via poderosa de transformação dessa nossa juventude e penso que todos os jovens deveriam ter essa passagem pelo esporte, pois é um  lugar onde se aprende e se prepara para a vida.
Léo: Tem pais que querem que os filhos ganhem sempre, se for necessário passar por cima de qualquer coisa para que o filho tire o primeiro lugar, ele vai passar, mas eu não concordo com isso, não aceito e provavelmente eu vou perder esse atleta se os pais tem esse pensamento, porque acabam não ficando.
Angela: Sabemos que essa criança que tem essa superproteção vai sofrer muito à medida que vai se tornando um adulto, porque a vida não é só de vitórias.
Léo: Sempre digo isso para meus atletas, principalmente os que estão acostumados a ganhar sempre, que um dia podem perder e precisam estar preparados para isso. Muitos eu percebi que já trabalham isso, outros pensam que isso nunca vai acontecer. Talvez possa não acontecer a derrota na pista, mas um dia vai acontecer na vida e daí acho que vai ser sofrido pois estará despreparado. Pois eu sempre lutei para que os atletas entendessem o objetivo do esporte, dessa disciplina, dessa conquista, dessa superação e daí quando chega em um momento crucial da vida que deveria estar bem preparado,  ele não sabe se portar.
Angela:  – Qual o momento mais marcante em sua trajetória como atleta?
Léo: Como atleta sinceramente não foi o primeiro lugar. Meu pensamento foi: -“Meu Deus que vergonha de eu ter sofrido para chegar até aqui para conquistar um título que eu achava que era a principal coisa que um atleta tinha que ter. E hoje que estou aqui no primeiro lugar do pódio me pergunto: -É isso aqui?...isso aqui não muda nada na minha vida”. Então a partir desse momento minha vida mudou totalmente no meu objetivo como treinador, foi crucial para mim, foi um divisor de águas.
Angela: Casualmente ontem, juntamente com teus atletas, assistimos a um filme:”O Poder além da Vida”, que está baseado em fatos reais da vida de um ginasta de argolas, onde o mestre ensina para seu discípulo que o importante é a jornada e não o destino, ou o resultado. Então como no teu caso, focaste tanto a medalha que perdeu o foco no presente, no teu percurso, deixando de vivê-lo quem sabe de forma mais plena. Então quando conseguiste a medalha tão sonhada você viu que era insignificante em relação a todo o resto que foi tua vida, teu percurso para chegar até lá.
Léo: E onde está essa medalha hoje? Está guardada em uma caixa dentro do depósito da patinação. Não que não tenha valor, bem pelo contrário. Mas como não sou apegado as coisas materiais, pois utilizo muito o desapego no meu dia-a-dia, inclusive a chamada de meu celular tem uma mensagem que fala sobre o desapego: “Pratique o desapego e seja feliz.” Porque quero sempre lembrar disso. O que eu quero colocar com isso? Que além das questões materiais, que as pessoas vem para tua vida, passam por um tempo, se foi bom ou ruim, algo se aprende, se for ruim, de não fazer igual ou simplesmente ter lembranças positivas, boas, agradáveis, se for para irem embora que se possa deixar ir para ser feliz. 
Angela:  Qual foi sua maior dificuldade no esporte?
Léo:  No esporte, até  hoje é a parte financeira. Quando comecei não tinha condição financeira, pois só tinha dinheiro para duas passagens por dia, então tinha que me virar com caronas para ir à escola e no treino.  Hoje não se trata de uma dificuldade financeira, mas eu não posso fazer mais pela minha escola, porque justo a parte financeira é limitada, então não posso ter um ginásio melhor, um espaço físico maior, ter condições de patrocinar o atleta que está representando a escola, pagar as inscrições, pagar a viagem, isso seria ideal. Não dá para ficar rico com a patinação, se pratica pelo prazer. A busca é mais pessoal. Não quero desmerecer nenhum esporte, mas eu acho que a patinação artística, já o próprio nome diz ela é um pouco diferenciada. Ela exige do atleta, além da condição física, que ele exponha seu sentimento ao vivenciar as coreografias, sendo que em cada uma dessas coreografias um personagem diferente é vivenciado, semelhante à ginástica artística. Mas com o diferencial de ser sobre rodas, que é extremamente difícil.
 
Angela: Quais as características que vc considera essenciais para ser um campeão nesta modalidade esportiva, além do que já se falou?
Léo:  Além da  disciplina e força de vontade, o atleta precisa ter muita paciência e persistência. Se for muito impaciente, dificilmente ficará neste esporte, ou terão muita dificuldade de aprendizagem,   porque tem que repetir o mesmo movimento umas 20, 30 vezes  no mesmo dia. Tem atletas, como no meu caso, alguns elementos levei mais de 1 ano ou mais para aprender e eu não desisti.
Angela: Se formos analisar outros esportes, como futebol, vôlei e basquete, sempre tem uma situação de jogo diferente, o inesperado que sai de uma rotina, digamos, de repetição de um mesmo movimento, mas na patinação eu percebo que a persistência e a paciência é mais que uma necessidade, visto a repetição dos movimentos.
Léo: Sim, porque não existe um salto novo, na ginástica tu pode até fazer um salto novo, mas na patinação não, sendo que não está no critérios de valores que o juiz tem que analisar, então tu não vai ser pontuado pela parte de dificuldade, talvez somente pela parte de criatividade. Porém a criatividade em uma nota de patinação sempre será relativa à nota de dificuldade, sempre será proporcional.
Angela: O que você pensa que dá sentido ao ato de viver?
Léo: Eu penso Angela, que engloba tudo que eu falei até agora. São os objetivos de vida, onde se quer chegar, porém com jornadas diferentes, cada um, por exemplo, com a sua religião, mas eu acredito que vão chegar  em um mesmo lugar, somente com formas diferentes de acreditar no que faz bem ou não.
Angela: Poderíamos pensar que o que dá sentido é de que forma tu leva tua vida, a ênfase que a pessoa dá para sua jornada.
Léo: Penso que o que mudou minha vida de uns anos para cá foi quando eu comecei a deixar de me preocupar com o que os outros faziam e tentar fazer igual, porque isso deu certo para ele. Eu sou outra pessoa, outra essência, outra vibração, assim nem todas as pessoas obtém o mesmo sucesso fazendo a mesma coisa. Exatamente é o que eu posso fazer em minha casa para construir um lar agradável, o que posso fazer em meu clube para que meus atletas tenham êxito e as pessoas se sintam bem e assim por diante, em qualquer coisa que eu faça. O meu objetivo é sempre esse, de crescimento e ajudar quem está sob minha responsabilidade, querendo ou não, eu como presidente de um clube e técnico de vários atletas, eles acabam se espelhando e querendo ouvir algo  de ti. Não só os atletas, mas também os pais, buscam aquela palavra de conforto em função da minha experiência como atleta e treinador.
Angela: Léo, você se considera uma pessoa feliz?
Léo: Com certeza.
Angela: E o que é para você felicidade?
Léo: Felicidade é exatamente isso de que falávamos, é eu ter essas pessoas ao meu redor que me escutam, que eu sei que aprendem comigo. Não é simplesmente ter um bom carro, que eu gosto, a felicidade não está nessas coisas, para mim está na forma como eu encaro os problemas. Teve um período de minha vida que não era feliz, hoje depois que aprendi a administrar os problemas, chego em casa tranquilo  todos os dias.
Angela: Qual seu maior sonho?
Léo: Sonho material gostaria de ter minha sede, o meu ginásio para poder fazer os horários que eu quisesse, sem dividir com outros esportes. Mas, mais que um sonho, acredito ser uma missão, quero trabalhar mais meu lado espiritual para poder fazer esse tipo de trabalho, desenvolver mais e mais a espiritualidade, mas não só para mim, quero ajudar os outros, acho que vou terminar meus dias dessa forma.
Angela: Ser um transformador...
Léo: Trouxeste a palavra certa, acho que sou um cara transformador, tento passar meus conhecimentos sem impor é claro, mas procuro passar meus conhecimentos para que a pessoa possa tirar uma frase que altere e melhore sua vida, assim  eu já me sinto realizado.
Angela: Muito obrigada pela entrevista Léo e pelas sábias colocações.
Léo: Espero que através desta entrevista, algumas pessoas possam transferir para sua vida alguma palavra ou frase, ou minha vivencia e analisar, porque às vezes acabamos sofrendo por tão pouco, porque alguma coisa deu errado, e tem tanta coisa para se recuperar nessa vida.
 
Obrigada Léo por compartilhar conosco sua experiência como pessoa e como atleta.
Um  abraço e até mais!


 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O PODER DA FÉ – uma história para aquecer o coração





No dia 13 de setembro, participei de um evento na Câmera dos Vereadores de Novo Hamburgo: Medalha ao Mérito Esportivo”. Trata-se de uma homenagem aos atletas aqui de nossa cidade com título Nacional, Sul Americano e Mundial.  Um incentivo ao esporte, um reconhecimento aos atletas pela dedicação, esforço  e comprometimento com sua prática esportiva, bem como, uma valorização da família como responsável em fornecer aos seus filhos atletas a motivação necessária nos momentos mais difíceis e o suporte emocional e financeiro  fundamentais para que o jovem atleta possa perseguir seus sonhos e acreditar que é possível alcançá-los.
 
Foi uma noite para se refletir sobre a própria vida, pois eis que diante de muitos discursos consistentes, um deles prendeu minha atenção de forma especial, penso que o mesmo ocorreu com as pessoas que estavam ali presentes. Estou falando de  Laerte Giraldi Jr., campeão mundial de jiu-jitsu, que fez um relato sobre sua história de vida, superação e fé acima de tudo.
A mensagem que Laerte Giraldi deixou aos atletas que estavam sendo homenageados e a todos ali presentes é: “Creiam em Deus”, apesar de tudo, mesmo que as circunstâncias lhe digam para desistir, acredite sempre em uma Força Maior que nunca nos abandona. Após dois infartos com sequelas em seu coração, com um diagnóstico que faria qualquer atleta desistir de seu sonho, proibido pelos médicos até de caminhar, Laerte perguntou-se: -“Senhor o que está querendo me mostrar?...Sempre tive bons hábitos, uma vida equilibrada, então tem algo errado ai.”
Saindo da UTI com uma caixa de remédios que deveria tomar para o resto de seus dias, decidiu que ao terminar os medicamentos não compraria mais e assim o fez. Começou a treinar devagar e a participar de pequenos campeonatos, deixando é claro, seu testamento pronto, pois o pior poderia acontecer. Mas, eis que o destino lhe reserva uma grata surpresa, antes de participar de um campeonato mundial, resolveu fazer os exames novamente e, adivinhem?...Seu coração estava perfeito, como de um menino de 18 anos. O médico falou: -“Foi um milagre.” Depois disso já conquistou muitos títulos mundiais.
Na Bíblia em Hebreus 11-1, FÉ é definida como: “Um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem.”
 
Um abraço a todos, uma boa leitura e
 
até mais!...

sábado, 8 de setembro de 2012

Atletas jovens aprendem a ser excessivamente agressivos praticando esportes?


 

Se formos responder de forma simples e objetiva, a resposta é não. Entretanto precisamos analisar mais profundamente essa pergunta para respondermos de forma satisfatória.

Primeiramente uma breve explicação a respeito de “agressividade”: “De uma perspectiva ampla pode-se dizer que foram reconhecidos dois tipos de agressividade: a agressividade endógena ou constitutiva (biológica) e a agressividade exógena ou reacional (relacionada à fatores ambientais). A teoria Freudiana (1920, Além do Princípio de Prazer), afirma a existência de uma propensão primária inata à agressividade no homem. Localizando-se a pulsão de morte na origem, no âmago do ser humano e fazendo da auto-agressão o próprio princípio da agressividade. Já Kris, Hartmann e Loewenstein, consideraram que a agressividade, longe de ser uma força destrutiva, estava ligada, ao contrário, à preservação do indivíduo, assim como no animal, onde a sobrevivência das espécies é determinada pela agressividade instintiva. ”(O Desenvolvimento Afetivo e Intelectual da Criança. B.Golse, 1998)
 

Após esta breve explicação, voltando à nossa pergunta, podemos dizer que é relativo.Tudo vai depender do contexto esportivo que esse jovem atleta vai estar inserido e principalmente a filosofia do clube, dos dirigentes e o estilo de ‘LIDERANÇA DO TREINADOR.’ Eu diria que o amor e ódio habitam o ser humano, isso é celular, a diferença crucial é qual deles será mais estimulado. Portanto fatores genéticos aliados aos estímulos ambientais serão determinantes para se desenvolver traços agressivos. Temos que cuidar para não generalizar, pois para toda regra há exceções. Vamos a um exemplo: um jovem que cresce em um ambiente hostil e agressivo, pode adotar um comportamento totalmente pacifico, pois aquilo lhe faz tanto mal, que escolhe para si uma vida diferente, ou seja, não será agressivo. Embora a tendência é de que essa pessoa repita o padrão de comportamento ao qual conviveu em sua infância.
 

Ao nascermos trazemos conosco a herança genética, que funciona como uma espécie de memória e registros de cada indivíduo, determinando características que vão além das puramente físicas, como cor dos olhos, do cabelo, estatura... Isso cabe dizer que existem genes para o comportamento e, que esses genes afetam nossa postura social e política. Portanto, podemos dizer que os fatores genéticos são importantes para o comportamento humano, assim como o ambiente.
 

Entende-se que no desenvolvimento humano, ambientes familiares e sociais são decisivos na construção de indivíduos saudáveis e com potencial de ação positiva. Se pensarmos no esporte como um lugar de formar cidadãos com valores de respeito a si próprio e ao próximo, cooperação, espírito de equipe, solidarismo e principalmente EMPATIA, que é a capacidade de compartilhar o sentimento do outro, internalizar e colocar-se no lugar desse outro da relação, teremos jovens muito bem estruturados interagindo na sociedade. Mas, para isso, é preciso CONSCIÊNCIA dos PROFISSIONAIS que ACOMPANHAM ESSES JOVENS ATLETAS.


Uma boa leitura!!!

Um abraço e até mais...
 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ALGUMAS ORIENTAÇÕES PARA PAIS DE ATLETAS: construindo uma relação saudável


Ø  Faça com que seu filho se sinta valorizado e reforce sua auto-estima especialmente quando sua performance não for boa e/ou  quando perder uma competição. Evite criticar os resultados do seu filho.
Ø  Permita que seu filho participe de diferentes modalidades esportivas, até que escolha a que se sente motivado a praticar.
Ø  Escolha com cuidado a escola e/ou clube que seu filho vai praticar sua atividade esportiva, certifique-se de que o ambiente e a filosofia do clube contribuirão para um desenvolvimento saudável e integral.
Ø  Verifique se o treinador é qualificado para orientar seu filho no esporte.
Ø  Ajude seu filho a entender as lições valiosas que o esporte pode proporcionar, preparando-o para a vida.
Ø  Esteja preparado para ajudar emocionalmente e apoiar seu filho especialmente quando há problemas. Evite usar o castigo e a falta de carinho, afeto e amor como meios para seu filho se esforçar e jogar melhor.
Ø  Procure entender quais os interesses e necessidades da criança no esporte.
Ø  Centre-se fundamentalmente no rendimento e não exclusivamente no resultado da partida.
Ø  Seja um acompanhante de seu filho estimulando-o positivamente, fazendo-o acreditar em si próprio, em seu potencial criativo e de realização, aprecie  quando fizer algo bom, quando acertar um movimento, um passe, uma jogada,  ajude-o a tornar-se uma pessoa confiante e, dessa forma, vá diminuindo o número de exigências.
Ø  Críticas destrutivas prejudicam a auto-estima.
Ø  Os pais então precisam compreender que a alegria da vitória e do sucesso por mais simples que possa ser,  estará sempre ao lado de um possível fracasso.
Ø  Nesse momento, muitos pais ficam tão abalados pela tristeza e angústia do filho que pensam  em tirá-lo definitivamente do esporte.

Ø  Portanto, é fundamental  pensarmos o quanto  o esporte, quando bem conduzido, pode ser útil para que a pessoa aprenda que perder e ganhar estão juntos, e dessa forma entender que alegria e frustração precisam ser assimiladas para que possamos aceitá-las e isso leva tempo para se aprender.
Ø  Um jovem que sofre após uma derrota  e sai em lágrimas, deve ser amparado pelo treinador e pelos pais com carinho e paciência, e na maioria das vezes o silêncio é mais valioso do que qualquer palavra, como o popular "valeu".
 
Ø  Fundamental é a compreenão de que assim como no esporte, às vezes ganhamos outras perdemos, assim é na vida, e que em tudo que fizermos é importante uma boa dose de paciência pra perseguir as metas, disciplina, respeito, humildade, dedicação, comprometimento, persistência e acima de tudo, amor e paixão pela nossa atividade. Pois São esses os ingredientes que nos fortalecem diante das adversidades, nos tornam pessoas melhores, fazendo do nós verdadeiros campeões.
 
 
       Para Refletir:
Ø  Quanto amor dá ao seu filho ?
Ø  Como motiva seu  filho ?
 
Um abraço e boa leitura!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PERCEPÇÃO CORPORAL

 

 

 

A linguagem não-verbal do corpo assume uma importância vital nas relações, onde através de um mundo de signos e símbolos vem falar de verdades e identidade do ser. O corpo, uma instância da pessoa, ele próprio constituindo-se  historicamente e sendo moldado e delineado por uma série de instituições, como a cultura, as crenças, os hábitos, a família, a escola, a religião, o capitalismo, entre outros, instituições estas que o atravessam enquanto corpo, o qual traz em si uma linguagem não-verbal, a qual constitui em si um grande analisador. A sua própria história de vida, vista de uma perspectiva geneticista, tem em si um mundo de atravessamentos. Este próprio corpo confere poder na forma como se apresenta. E este corpo atravessa o próprio  sujeito que o constitui, produzindo modos de subjetivação.

 

É neste sistema de crenças e hierarquias, que vão sendo tecidas as relações de poder do corpo social. Esta construção do indivíduo vai de desenrolando em uma  espécie de rede, tecida pelas relações de poder. Este poder está permeando todas as formas de relações de modo muito sutil, dando a ilusão de que somos livres. Em sua obra “Psicologia uma Nova Introdução”, Luís Cláudio Figueiredo, usa o termo “subjetividade privatizada”, através do qual o ser humano passa a ter consciência da sua própria existência, quando historicamente vai se constituindo como dono de si próprio, saindo de um período medieval onde era totalmente destituído de sua individualidade.  Então Figueiredo coloca que a “liberdade” que o indivíduo pensa ter, parece ser ilusória, uma vez que temos que viver em um Regime Disciplinar, onde tudo obedece a uma ordem. O ser humano precisa ser colocado na sociedade de forma disciplinar, eis aí o poder atravessando este indivíduo em seus modos de ser.

 

O corpo é uma expressão do indivíduo, podemos dizer que não há separação entre corpo e ser, somos um ser “corpóreo”, inteiro, indivisível. Através deste corpo a pessoa se coloca no mundo, este corpo é o palco das emoções, dos sentimentos, dos pensamentos, da sensibilidade, é a expressão mais autêntica da essência do indivíduo. As vias de expressão encontram-se nos gestos, nas atitudes, na voz, na sexualidade, na escolhas das roupas, na postura, no olhar...etc...

 

Comportamento facial, manifestação dos afetos, olhar fala a linguagem da alma.“O rosto possui um olhar e uma irradiação da qual ninguém pode subtrair-se. O rosto do outro torna impossível a indiferença, porque nos obriga a tomar posição, uma vez que fala, pro-voca, e-voca, e com-voca. O rosto e o olhar lançam sempre uma pro-posta em busca de uma res-posta. Nasce assim, a res-ponsa-bilidade de dar res-postas, ou seja, a ética do reconhecimento do outro como igual a mim.” (Saúde e Resgate da Vida, Simpósio de Psicologia, pág.5).”

 

Pensando aqui na Psicologia do Esporte, o corpo coloca-se como instrumento de trabalho enquanto força, capacidade física, condicionamento e potência. Um corpo que se coloca diante de outros corpos e se estabelece uma forma de relação e de comunicação. Penso que, especialmente para o atleta, este corpo lhe confere maior ou menor autoconfiança, fator imprescindível para uma boa performance. Portanto, a consciência deste corpo, dos seus limites, da sua linguagem silenciosa, torna-se vital para o atleta.

 

Corpo, um lugar de muitas memórias, de muitas histórias, um rico tecido social, atua como um revelador da verdade do vivido interior da pessoa. Podemos considerar o corpo um velho sábio que é preciso escutar.


Uma boa leitura!!!


Um grande abraço e até breve!
  

 

 

 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ALTA PERFORMANCE – Hábitos que fazem a diferença para atingir bons resultados.



Fala-se tanto em treinar, ter disciplina, dedicação, comprometimento com sua prática esportiva, superar os medos, ter autoconfiança, coragem, determinação e tantas outras exigências do contexto esportivo e características de personalidade  que se atribuem aos campeões, mas não é só isso, tem outros fatores que são tão importantes quanto esses acima citados.

Particularmente, compartilho das ideias trazidas pelo grande preparador físico, Nuno Cobra, o qual se tornou mais conhecido após ter sido o preparador de Ayrton Senna por mais de 10 anos. Minha forma de pensar vai de encontro a sua no que diz respeito ao olhar que se tem para o sujeito, onde a pessoa é vista de forma holística, ou seja, como um ser inteiro, em que faz parte corpo, mente, emoções e espírito.

 Vejamos algumas ideias, como segue:

v  SONO: A ciência já comprovou que o sono é fundamental para que nossas capacidades cognitivas, sendo elas, memória, linguagem, atenção, percepção, pensamento, raciocínio e imaginação, possam funcionar plenamente, sem prejuízos causados pelo cansaço desse organismo que teve poucas horas de sono ou noites mal dormidas. Nuno Cobra afirma em seu Livro “A Semente da Vitória” que o sono é determinante para uma boa performance, ficando claro para ele a diferença entre um sono reparador e um sono superficial e curto na frequência cardíaca e no desempenho esportivo de todos os seus atletas.

 

v  ALIMENTAÇÃO: Costumo dizer que somos o que comemos e o que pensamos. Portanto tão importante quanto ter pensamentos positivos é ter hábitos alimentares saudáveis. Estar consciente da importância de cada alimento e seus benefícios ao nosso organismo é fundamental para saber, por exemplo, o que comer após um treino, onde as proteínas são essenciais nesse momento, as quais auxiliam na formação da massa muscular. Também temos os carboidratos, fontes de energia, importantes serem ingeridos com o devido tempo para uma correta digestão, antes de um treino ou um jogo por exemplo. Há também as gorduras consideradas benéficas ao organismo presentes nas nozes e castanha de caju por exemplo, e mais ainda, minerais vitaminas e as fibras.

 

v  RESPIRAÇÃO: A respiração é o sopro de vida e de clareza mental. Porém estamos falando da respiração diafragmática, onde já compartilhamos um artigo neste blog explicando detalhadamente como respirar corretamente. Essencial para trabalhar níveis de ansiedade e como preparo para o treino mental, uma vez que há uma melhor oxigenação no cérebro revitalizando as funções mentais.
 

v  RELAXAMENTO: O próprio ato de respirar já é relaxante. Após algumas respirações lentas e profundas, percorresse com a mente em uma espécie de raio x em todas às  partes do corpo a fim de conseguir o relaxamento tão importante para aliviar as tensões, preparando mente e corpo para o treino mental.

 

v  TREINO MENTAL: Aplicação de técnicas cognitivas, entre elas mentalização das próprias capacidades, automotivação, visualização, de modo a desenvolver as habilidades psíquicas.

 

Importante ter-se a consciência de que a boa performance começa com o estilo de vida do atleta, o conjunto de hábitos que adota no seu dia-a-dia, onde suas escolhas iniciam com o despertar pela manhã, onde comer e beber algo saudável ao iniciar o dia ou sair de casa sem ingerir um alimento ou um líquido, começam a fazer toda a diferença para se atingir ou não os resultados desejados.

 

Um abraço a todos e uma boa leitura!

 

Até mais.